Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2018

RODRIGO BERGSLEITHNER

O erro do jornalismo é a mágoa dos jornalistas



Sangue, tragédia, morte, maledicência, fofoca, julgamentos, preconceitos, briga política e picuinhas... Até quando veremos isto nos jornais?

Até que ponto um acidente de trânsito com morte é notícia? E se fosse o seu filho ou filha, gostarias de ver esta "notícia" estampada nos jornais ou repicando pela Web, sem fim, e ainda com comentários de todos os tipos e gêneros?

Hoje, quando ocorre um acidente de trânsito, em qualquer via pública, as pessoas correm... Sim, correm, mas não é para ajudar e sim para ser voyeur da tragédia alheia. Em poucos segundos, surge um número impressionante de pessoas. Juntam-se mais pessoas do que nas sessões da Câmara Municipal de Vereadores ou em um sério debate que estuda planos e projetos culturais e econômicos para o município! 

Agora imagine a cena: alguém acidentado no chão, sangrando, em convulsão ou sem respiração aparente e dezenas de pessoas, todas munidas com seus telefones celulares e smartphones iniciam sessões fotográficas, filmagens e, até mesmo, filmagem ao vivo pelas redes sociais. Digamos que o acidentado venha a falecer e a família do mesmo sofrerá em dobro: uma pela perda do ente querido, outra por ter comentários abaixo das notícias sensacionalistas e desumanas nas redes sociais. Agora, imaginem daqui a uns três anos! Esta mãe, que perdeu um filho no acidente, pesquisando na internet qualquer tema e se depara com uma antiga publicação sobre o acidente envolvendo o seu filho no passado. Imaginou a cena? A dor? A falta de respeito? E eu te pergunto: e se fosse o teu filho? A tua filha? Isso é notícia?

Os jornalistas defensores desta barbárie anticultural dirão: "isto vende jornal!". Se vende, é por que existe, justamente, uma parcela da população, carente de informação e de conhecimento, que se "beneficia" da falta de conteúdo destes veículos que noticiam tais acontecimentos. Não seria mais interessante, educativo e cultural levar uma informação que culminará em conhecimento e no saber, proporcionando cultura a tais pessoas? Se a informação "não vende", faça-a "vender"! Já pensastes nos benefícios que isto proporcionaria a alguém? Logo, o interesse pela leitura, música, teatro, artes cênicas, entretenimento, dança, literatura, pintura e, até mesmo, pela alfabetização tomaria grande impulso em nosso meio social. 

E "levar a violência e a tragédia" como informação e nas capas dos jornais traz qual benefício? Muitos! Indignação, medo, raiva, insegurança, tristeza, condolência, piedade, sentimento de pena... Logo, uma energia ruim, sentimentos nãoprazerosos e, muitas vezes, um sentimento de culpa. Isto deixa o seu dia-a-dia mais feliz???

Imagine a cena: o casal acorda. Feliz.Toma o café da manhã com os filhos. Recebe o jornal, verifica no telefone as notícias, ou liga a televisão e o rádio, e a informação que lhes dá um bom dia é: "filho mata pai, mãe, irmãos e espanca os avós e depois comete suicídio". Como seria o seu dia, ao saber esta notícia? Prazeroso? O que aprendestes com tal informação? Te sentes mais culto e com o saber aprofundado ao obter tal "conhecimento"?

Ah, mas os defensores dirão, "isto vende!". E se vende, quem ganha o dinheiro é o diretor da empresa jornalística, que, em sua grande maioria, mal sabem o que é jornalismo, só desejam saber se o jornal está dando lucro ou não. E os repórteres "caçadores de sangue impresso", alguns amam a tragédia alheia, acham que prestam um serviço digno de aplausos. Ora, se vende, deveria ter feito a faculdade de Economia, Marketing, Administração... não foi isso que ficou implícito em seus juramentos: "noticiar o que vende", em qual parte aprendemos isto? Volto a perguntar, e se fosse o teu filho? E se fosse a tua filha?

Leio colunas em jornais e vejo articulistas "dando indiretas" a outros colegas de profissão, inclusive com detalhismo, falando analiticamente de uma pessoa como se aquilo ali publicado fosse "notícia". Ora, a coluna é algo para lançar uma indagação, formar ou não uma opinião para um possível debate e, novamente, é mais uma parte para levar a informação ao leitor. Não é um espaço para picuinhas, invejas, indiretas, egocentrismo e uma babaquice. Se o fulano pensa de um jeito, respeitemos a sua posição. Se a ciclana saiu de um trabalho e foi para outro, é uma escolha dela, é uma mudança em sua vida, ou há males que vem para o bem. Se o beltrano não cuida dos dentes, é um problema dele. È pessoal. É intransferível. Não temos, como jornalistas e colunistas, esta "intimidade e invasão de privacidade" para falar da vida de alguém. Isto é desonesto, grosseiro e antiético. 

Outra coisa é usar um pseudônimo para "jogar a merda no ventilador". Primeiro, usar um pseudônimo para escrever uma coluna em um jornal é crime! Segundo, além de crime é covardia. Em terceiro grau, ninguém tem o direito de opinar, comentar, julgar a vida alheia, muito menos nos veículos de comunicação. Não é por que o Fernando Pessoa usava deteronônimos que qualquer um possa vir a fazê-lo. Afinal, ele era o Fernando Pessoa! Ele pode! Mas por aqui, existem leis, que não permitem que as reportagens, colunas, matérias e expedientes de jornais sejam assinados por alcunhas, apelidos, nomes fictícios e pseudônimos. Isso é a mesma coisa que querer jogar uma pedra na vidraça e, ao não ter coragem para tal, mandar outro fazer em seu lugar. Ou seja, além de covardia, um ato insano. 

O que me surpreende, também, é que além disso, tais autores destas proezas, não generalizando, sentem-se especialistas em psiquiatria e psicologia por que julgam, definem, comentam e dão a "receita médica" de como tais pessoas são, como se Freud e Lacan, de outro plano, influenciassem seus pensamentos. Chega a ser, além de tolo, patético. Ninguém pode definir ninguém, ao menos que seja um profissional capacitado da área de Saúde Mental para tal diagnóstico. É simples. E assim como as publicações de violência, estes fatos sobre colunas, também trazem mal-estar, inveja, ódio, preconceito, ira, intolerância... Enfim, sentimentos ruins que não nos conduzem a uma boa vibração de espírito e alma. 

Certa feita, ouvi uma pessoa comentar que tal profissional da imprensa era "pedra que não criava limo" por ter trabalhado em diversos lugares e em várias cidades. Ou seja, "não dura em lugar algum". Aí fiquei pensando nesta lógica. Então, quem trabalha a vida toda no mesmo lugar cria limo? E qual seria o benefício do limo? Se você é uma pedra parada dentro de um rio, cheia de limo, verás sempre o mesmo cenário, a mesma rotina, o mesmo salário, a mesma reclamação do colega nos bastidores, e a "mesma coisa" é algo chato. Dotada de sentimentos ruins. 

O quão maravilhoso e sorte é da pedra "que não cria limo", pois ela é levada pelo rio, deságua em outros rios, passa por lagos, lagoas e acaba no mar, no oceano, na parte mais bela do universo. E no caminho, ela aprende muita coisa, tem contato com outros seres, muda o trajeto por opção própria, outras o destino a quis que mudasse... É algo totalmente prazeroso. É ousadia. Logo, as pedras que "não criam limo" são ousadas, aventureiras, corajosas, amam a vida, não têm medo de mudar, de recomeçar, de aprendar... de ultrapassar os muros da vida... Se habituam com os altos e baixos da vida. Aprendem com eles. Conhecem pessoas, deixam um habitat, mas o contato fica. O pior é ser a pedra com limo, estática, sempre no mesmo lugar e com a velha mania: cometendo a maledicência em conversas in box pelo Facebook. Sim, e sempre tem alguém que esquece o Facebook aberto e tudo fica à mostra. Além de se tornar uma evidência física, digna de processo judicial. 

Perceberam quanta mágoa há no jornalismo? Quanta tragédia? Quanta coisa "que vende"?

Uma cidade só evolui quando todos se unirem e darem as mãos e esquecerem esta infantilidade de "eu sou A", "tu é B" e a "minha tia é C". O consenso político é o melhor caminho! Um administrador deixa um cargo, uma parte da imprensa "bate na sua administração". Um administrador assume um cargo, outra parte "já cobra e bate em sua administração". Quando isso vai mudar? Isto, realmente, fará uma cidade, uma sociedade e um grupo de pensadores evoluir??? 

Se o fulano tem um amplo conhecimento em sua área, é um estudioso nato, trabalhador, chefe de família e pessoa do bem, ele não pode "ser do governo A" por que ele optou em escolher o "governo C", nas urnas? Isto, além de ditatorial, é arcaico e decadente. É preconceituoso e de uma falta de visão de mundo impressionante. E por que isso? Por que a maioria que assim pensa é "pedra com limo", não saiu do seu habitat para aprender coisas em outros habitats maiores para aqui desenvolver a aprendizagem recebida. 

A aprendizagem se faz com estudos a vida inteira e não com diárias para "buscar conhecimento" em congressos e seminários supérfluos pelo país. 

Estás enxergando a mágoa no jornalismo?

Se a fulana sai na coluna social e é definida como "competente", "ilustre" pelo simples fato de, muitas vezes ter pago por aquele espaço (sim, as pessoas nas capas de revistas compram o espaço!, em 95% das situações), que motivação vai ter uma cidadã que acorda as 5h da manhã para "trabalhar fora", fica longe dos filhos, volta pra casa às 20h e ainda faz o jantar, ajuda os pequenos nas lições de casa e ainda acha um tempinho para tomar uma cervejinha com o marido? Esta sim é a ilustre! A competente! Não estou aqui dizendo que quem já foi assim definido nas colunas sociais não o seja, muito pelo contrário, mas o colunista social precisa mesmo adjetivar as pessoas? Qual o seu conhecimento sobre o trabalho, o dia-a-dia de tal profissional, como ele se comporta no trabalho, como ele trata as pessoas, os colegas, o chefe, os clientes, então, como podes defini-lo com "tanta facilidade"? Logo, outro exagero que "vende". 

Perceberam? Jornal não é mais poesia, informação, conhecimento, sabedoria... é só "o que vende", recheado de notícias com tragédias e fotos de pessoas, em 90% de suas publicações. Depois não adianta dizer em manchetes com letras garrafais: "Brasil, o país onde ninguém lê!". Com certeza, noticiando sangue, tragédias, fotos em sociais, assassinatos... iremos "mudar" este dado  e fazer o país e uma sociedade crescerem! Com certeza, "pedras com limo"! Com certeza!

Não sou o dono da verdade, nem desejo ser. Já tive este egocentrismo barato. Já quis "mudar o mundo" e ser incendiário, mas hoje me contento em ser bombeiro, em buscar o equilíbrio cuidando da alma, do corpo e do espírito. Já errei, mas tive a humildade em querer mudar de estrada. Não importa se isso faz pouco ou muito tempo. O que importa é que quem está comigo sabe do real sentido desta mudança. Convivendo sempre com os meus filhos, há muitos anos sem vida noturna e aprendendo a "ser bombeiro aos 40". A vida é um eterno aprendizado. Graças a Deus (esta é outra parte que zombam no jornalismo. Há muita intolerância religiosa no meio, com piadinhas e pré-conceitos e pré-julgamentos) deixei de lado esta "vontade de mudar o mundo", de "opinar, julgar e denunciar". O meu papel, como jornalista, hoje, é fazer o bem. Levar o bem. E mesmo que me chamem de antigo, o que me interessa é o jornalismo dos anos 1950, o qual nunca deveria ter morrido por influência americana. 

O melhor para conhecer uma pessoa e definir o seu trabalho é conviver com ela. Aceitar as suas opiniões, não cometer a maledicência pelas redes sociais com outros colegas de profissão, não achar que o seu teto é de vidro, saber que todo mundo tem o direito de errar, de aprender, de pedir perdão e ser perdoado, de evoluir e de recomeçar sempre! Ninguém aqui pode brincar de ser um Deus a julgar os outros! Sim, Ele existe! 

E o melhor de tudo é dormir de consciência limpa. Não se importando com o que falam, dizem, contam, julgam... Assim é a eterna felicidade. Não responder é o melhor caminho! Não falar dos outros é um ato de sabedoria! E cuidar do corpo e da alma é algo que nos traz uma única certeza: se amar! E se amar é se preparar para ser amado. Quem comete tudo o que aqui listei não tem amor-próprio, não se contenta com o sucesso de alguém, não fica feliz de ver um colega ser promovido...Não procura entender por que o colega faltou ao trabalho e logo já comete piadinhas. E outra sugestão que eu deixo: se o dono do seu jornal é "do partido A", você, como funcionário, pode e deve votar no "partido que você quiser". Isso é ser livre. E isto, eu sempre fui, nunca votei "naquele que me mandaram votar". E você? E o mais engraçado foi que uma vez ouvi de alguém dizer que o meu pai fora um carrasco para mim. Não, nunca foi, sempre foi um ótimo e presente pai! Enxergas a maldade?

Muita luz àqueles que fazem do jornalismo um mau caminho. Que Deus ilumine as suas vidas e a tornem melhores! Busquem a paz! E sem mágoas! Eu não guardo mágoas de ninguém, muito menos rancor. E nem acho que "sou famoso", apenas sou um rapaz latino-americano que gosta de escrever e que vou sempre querer ser "pedra que não cria limo", pois morar numa cidade é conhecê-la. Visitar nas férias é apenas "passeio". Há um oásis de diferença... Muita luz a todos! Paz na vida! Paz no jornalismo! Chega de "coisa que vende"! Sejam criativos! Mas sem anonimato, isto sim é crime!

Um fraterno abraço

 

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