Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2018

EDNA LAUTERT

Para quem os sinos dobram?



Mesmo que a vida continue, e que a cada ano ela colha uma nova flor em seu jardim. Os sinos dobram por ele

Era véspera de feriado, e toda a família estava às voltas com a festança....faltava apenas dois dias, sim, dois longos dias para a festa tão esperada. 

A alegria estampava na janela, entreaberta, por onde via-sem um raio de luz! Seria um dia maravilhoso, com sol. Com certeza.


O vento triste dos desencantos, porém, trouxe o presságio da morte, e o dia amanheceu sem luz.Chovia, e a água cobria a calçada da rua, transformando tudo em ao redor. O cenário da festa logo começava a inundar. E já se cogitava migrar dali, para outro ponto. 


A mãe completaria 74 anos, num dia de temporal. Mesmo assim, era motivo para comemorar. E a decoração seguia, afinal tudo devia estar preparado, nos mínimos detalhes, para que nada pudesse faltar. Ao longe ouvia-se um badalar de sino....
-Por quem os sinos dobram?


A pergunta era sempre a mesma, a cada vez que se ouvia o toque. Parece que era uma frase comum, mundialmente. Ganhou nome de música, de filme, e virou poema. Mas, mesmo assim, sempre suscitava indagações.


Era o aniversário da mãe. Mas, onde estaria o pai? Por um momento a família ficou em silêncio. Mãe e pai não viviam mais juntos. O aniversário de cada um era comemorado de forma separada. Mesmo que poucos dias os separassem: pouco mais de uma semana. A mãe estava em casa, arrumando o cabelo para a grande festa. 


De repente um toque ao telefone. O pai havia partido dessa vida. Foi fulminante. Sem ninguém esperar. A festa interrompida, o choro, a despedida, a dor da partida...tudo ou nada. Os sinos dobravam por ele. O chamado era em torno dele.


E assim seguia-se pela vida. Todos os anos, na mesma data. Os sinos dobram por ele. Pela dor da despedida. Mesmo que a vida continue, e que a cada ano ela colha uma nova flor em seu jardim. Os sinos dobram por ele.

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