Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2018

VINÍCIUS BAIRROS

O líder na torre de Marfim - O isolamento físico e social



Não carregue o fardo da liderança sozinho, compartilhe com a sua equipe, delegue não somente as funções, como também a autoridade de decisão

Apenas recapitulando para você que ainda não leu a primeira parte da série de artigos sobre o líder na torre de marfim – recomendo que o faça – clicando aqui. A “torre de marfim” que designa um mundo ou atmosfera onde intelectuais se envolvem em questionamentos desvinculados das preocupações práticas do dia-a-dia. Nas empresas, chamamos de “torre de marfim”, a postura de distanciamento que muitos líderes assumem no cotidiano em relação às equipes que lideram.  Esta postura possui comportamentos bem definidos, e dentre eles, podemos citar o isolamento físico, o isolamento social, o isolamento intelectual, a autossuficiência e a autoproteção.

Neste artigo falaremos sobre o isolamento físico e consequentemente social dos líderes que insistem em galgar os degraus da torre de marfim. Mas, como isso acontece na prática? A causa do isolamento geralmente decorre de crenças que advém dos tempos das monarquias. Tempo esse em que havia uma distinção entre os nobres (realeza) e a plebe (povo).

           

Como podemos observar em alguns países da Europa em que a figura do rei tem a imagem de uma pessoa que nasceu no poder, é um líder por direito. Geralmente é o proprietário de uma organização, o espírito que anima o negócio, a razão de existir de um investimento. O rei concebe coisas importantes para o povo de seu tempo e lugar e atende expectativas ou necessidades. Tem sua própria majestade. O rei é simbolizado pelo líder que promove, concede audiências, premia e homenageia ou pune (por justiça).

 

Na monarquia, os reis muitas vezes assumem para si o papel de deuses. Como no Egito antigo, em que o faraó era tido como um deus e não poderia ter suas decisões questionadas. Outro típico comportamento das monarquias é o isolamento físico e social dos nobres em relação à plebe.

Os nobres realmente acreditavam que por serem pessoas especiais não poderiam estar misturados com a plebe, pois estavam correndo risco de perder o respeito que os mesmos lhe deviam.

Os líderes na torre de marfim acreditam que são especiais, são intelectualmente privilegiados e que nasceram merecedores da autoridade que possuem. É necessário, no entender deles, manter uma distância segura em relação à plebe corporativa. Desse sentimento nasce o desejo de ficar isolado na sua sala, território seguro em relação ao restante dos mortais. O líder gosta de ser reverenciado como uma pessoa que “impõe” respeito, na verdade medo, e sentindo prazer em perceber as reações que causam nas pessoas quando eles chegam.  

O que isso causa na empresa? Bem, assim como na monarquia, em que a plebe se torna reativa as determinações do rei, realizando somente aquilo que foi determinado pelo mesmo, nas organizações esse isolamento produz profissionais cumpridores de ordens, pessoas que não questionam, não sugerem, não se preocupam se o resultado vai ser bom ou ruim, afinal isso deve ser pensado por que monta as estratégias e passa as ordens.

O isolamento físico e social é fruto de uma liderança autocrática que impõe as normas e cobra seu cumprimento, considerando a equipe apenas como executores de suas estratégias e que eventuais sugestões e críticas são irrelevantes. Como as pessoas na sociedade atual não tem muita paciência com esse tipo de liderança, aumenta o turnover (troca de pessoas) da equipe, aumentando o custo da folha de pagamento e a necessidade de sempre estar treinando pessoas nas mesmas atividades.

Como esses líderes não levam em consideração a opinião dos seus liderados, os mesmos assumem uma postura de indiferença e desrespeito em relação ao líder, e não são poucas as situações em que a equipe sabota o líder ou não interfere para impedir que o líder fracasse, o que é péssimo para os negócios da empresa.

Relacione-se com as pessoas da sua equipe, não tenha medo de se expor, de que as pessoas conheçam suas fraquezas, crie um ambiente de acolhimento, permitindo que elas possam expor suas ideias e até mesmo suas fraquezas, pois todos nós estamos em crescimento.   Não carregue o fardo da liderança sozinho, compartilhe com a sua equipe, delegue não somente as funções, como também a autoridade de decisão.  Deus abençoe vocês e até a próxima.

 

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